Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Para contexto, uma breve história de Afonso

Digo-vos, leiam os cadernos com a máxima atenção que possam atribuir. Vou partilhar apenas a parte mais biográfica. Nasci para os números mas confundi-me com as letras. Não com todas mas com aquelas que falavam mais perto do sentimento. Escolhi a poesia porque me permitia fazer contas. E porque nessas contas conseguia contabilizar a perda de Matilde.  Quando me mudei para Porto Oco, já ela era uma memória e eu um homem das letras. Na minha mente continuava a escrevinhar tudo em cadernos quadriculados. As contas do mês, as despesas, os balanços. No meu corpo, o mal estar da ausência fazia-me caminhar ao longo do velho pontão de pedra. Caminhava como se não pudesse traduzir nada daquilo em letras ou em números. Nunca fui de caminhar. Tenho pés sensíveis e delicados. Femininos, dizia-me Matilde. Tudo porque ao contrário dos outros, usava laços e lenços. Ainda os uso, sentado na poltrona enquanto escrevo versos. Iniciei este Rosto sereno, Não o terminei porque me ia esquecendo da seren...
Mensagens recentes

Voltamos às listas de trabalho

 Intermináveis. De todas as tarefas programadas, não realizei nenhuma. Das não programadas, todas.  Apenas um excerto que há dias o Afonso me enviou dos seus Cadernos. O mar ao fundo é triste mas imenso. Ao perto, finito. A rocha é negra. Este porto é inseguro. Estou aqui.  Notei a secura.  E sentei-me a pensar nisto até hoje. Agora tenho de ir fazer o almoço. 

A vida é cíclica

  Ouvi dizer que sim. Estou demasiado seco para acreditar. Para onde vai esta porcaria? Tarefas de Março, segunda parte Perguntar para onde vai esta porcaria? Em Abril, teremos a resposta. Tarefas de Março, terceira parte A vida é cíclica. Já passamos aqui tantas vezes neste drama do meio tempo. Tarefas de Março, quarta parte Lamentamos ainda assim, uma vez mais.  Tarefas de Março, quinta parte Fechar as pendências do mês anterior.

Um palerma nunca vem só

 Advertência: o texto que se segue tem personagens reais. Tentarei não ser ofensivo até porque o objectivo do texto é demonstrar o quanto nos podemos deixar perder para lugares que não são nossos ou para nós. Dito de outro modo, é preciso cuidado. Contudo não garanto que a criatura aqui visada não se ofenda com tal texto.  Costumo dizer que Novembro e Maio são, regra geral, para mim, meses em que algo acontece de modo a representar uma ruptura com o que até então havia. Este Maio não foi uma excepção e haveria de culminar em um ano e meio de uma das paixões mais patéticas da minha vida.  Foi precisamente em Maio que, após uma breve relação com um tipo que era saltimbanco, decidi que era hora de esquecer esse triste episódio e partir para outra. O saltimbanco era demasiado simplório e sofria de amnésia. Além de que, muito provavelmente, vinha carregado de uma série de outras maleitas. Não por mim mas por tal criatura que se achou no alto do seu palanque em muito superior. ...