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A mostrar mensagens de 2023

Um palerma nunca vem só

 Advertência: o texto que se segue tem personagens reais. Tentarei não ser ofensivo até porque o objectivo do texto é demonstrar o quanto nos podemos deixar perder para lugares que não são nossos ou para nós. Dito de outro modo, é preciso cuidado. Contudo não garanto que a criatura aqui visada não se ofenda com tal texto.  Costumo dizer que Novembro e Maio são, regra geral, para mim, meses em que algo acontece de modo a representar uma ruptura com o que até então havia. Este Maio não foi uma excepção e haveria de culminar em um ano e meio de uma das paixões mais patéticas da minha vida.  Foi precisamente em Maio que, após uma breve relação com um tipo que era saltimbanco, decidi que era hora de esquecer esse triste episódio e partir para outra. O saltimbanco era demasiado simplório e sofria de amnésia. Além de que, muito provavelmente, vinha carregado de uma série de outras maleitas. Não por mim mas por tal criatura que se achou no alto do seu palanque em muito superior. ...

"Meal Prep"

 É algo que faço com frequência ao Domingo. Preparo tudo para a semana. Pelo menos tento. Houve uma altura em que dei por mim e estava a querer seguir tendências. Foi pouco depois de um jantar em casa de Gustavo. As suas experiências culinárias continuavam por um intrincado caminho sem retorno. Cada vez piores.  Nessa época as nossas principais discussões eram sobre o rumo que havíamos de dar àquilo que achávamos ser uma espécie de actividade literária. Havíamos decidido que os cenários da nossa escrita seriam sempre a preto e branco. Era uma petulância nossa certamente. Mais minha do que de Gustavo que tanto lhe fazia. Prosseguimos, porém, mesmo com a oposição de Afonso que, nessa época esperava uma promoção no Banco e estava mais empenhado em aparecer de barba aparada e cabelo cortado do que em reflectir sobre o funcionalismo. A demanda por uma escrita a preto e branco não durou muito. Pouco tempo depois decidi que era altura de mudar a direção às coisas e, quando dei por mi...

Muriel

 Also thought she would be invited to the main role. She came with velvet shoes, walking on the mud, soaking her feet.  The House was not the same. It seemed like a different place. Older, for sure. The paint vanished with years and years of being left there, just like a memory that no one touches. Only if needed.  But it was not just about the house being old and abandoned. It was more like the aura that gave the whole place a different tone. She knew that the maid would be there, waiting for her behind the front door. Bruna, she was called.  They were about the same age. Different paths in life. But so much in common. 

Let's say

 That this is nothing but a silly play. We are nothing more than the scenarios that cover the whole plot.  We're not the cast, nor the story behind. Our lines are muted as a standing table in the middle of the stage. We are there, just like this. As still as the darkness can be.  But in the deepest silence someone may notice us. Others for sure won't. We are the table there where hands touch the old wood. A single mother cries on us. Her son was called to serve the country. And we are the table who witnesses the painful cry.  Nothing more than a silly play. 

Primeiros Passos

 No que quer que isto seja.  Vejo uma estrada densa. Se me sinto perdido, não é como antes. É diferente. Talvez porque as coisas, quotidianas, nos moldam. Ou porque as vemos passar tão ao longe que ainda nos damos por atordoados. A magia de cada coisa perdeu-se, esvaiu-se. Os sonhos todos eles sonhados foram vividos e perderam um certo encanto. Não sou ingrato. Apenas preciso de frescura. Para variar.  Parabéns para mim.  Obrigado

Para dizer

 Que, ainda bem que o teu caminho se cruzou com o meu, meu amor. Há quase cinco anos (a dois dias de tal efeméride) que as minhas reclamações têm um sol a fazer de fundo. Amo-te muito minha coisa boa!

Feliz meia década desde a última publicação

 Não posso celebrar com bolos porque estou obeso mórbido. Parece que pastei o meu traseiro burguês nos meandros da vida. Mas também, verdade seja dita, quero considerar-me menos chato e menos dramático. Ninguém aguentaria com aquela lamúria trágico-cómica.  Hoje faz calor e o sofá onde sento o meu cú é desconfortável porque me cola as pernas, as costas e todas as dobras. Também já não há pachorra para isto. De ano para ano parece que a minha resistência ao calor piora.  Foda-se! Tenho os olhos feitos em números, trocados, estrábicos e não me apetece pensar muito. Não tenho cérebro. Apenas a porcaria de uma pasta que me faz peso na cabeça e pressão nas fossas.  Pois então que tudo piore. Já vim em caminho descendente desde as merdas espirituais até aqui. Não, camaradas, não me ocupo mais de tristezas e sentimentos insalubres que nos deixam a boca directamente ligada a uma fossa séptica. Nem tenho o coração aos palpites como se fosse fugir, correr o mundo e buscar a id...